Inteligência Artificial no Liceu Jardim
Um guia para famílias e estudantes sobre o uso consciente, ético e responsável da inteligência artificial no contexto escolar.
O Guia
Bonificações
Anexos práticos com ferramentas, exemplos e modelos prontos para o dia a dia.
Material institucional do Liceu Jardim · Todos os direitos reservados.Revisado periodicamente para manter clareza, atualidade e utilidade pedagógica.
Apresentação
A inteligência artificial já faz parte do cotidiano dos estudantes, das famílias e da escola.
Ela está presente em ferramentas de busca, aplicativos, plataformas de estudo, assistentes virtuais e sistemas capazes de gerar textos, imagens, resumos, explicações e sugestões em poucos segundos. Diante dessa realidade, o Liceu Jardim entende que orientar seu uso de forma clara, ética e responsável é parte do compromisso educativo da escola.
Este manual foi elaborado para apoiar estudantes e famílias no uso consciente da inteligência artificial no contexto escolar. Seu objetivo é explicar, de forma simples e prática, o que essa tecnologia é, como ela pode ser utilizada de maneira positiva no processo de aprendizagem, quais cuidados são necessários e quais limites precisam ser respeitados.
No Liceu Jardim, entendemos que a inteligência artificial pode ser uma ferramenta valiosa de apoio ao estudo, à organização e ao aprofundamento do conhecimento. Ao mesmo tempo, reconhecemos que ela não substitui o esforço intelectual, a autoria, o pensamento crítico, a responsabilidade pessoal nem a mediação humana do professor.
Mais do que ensinar a usar uma tecnologia, este manual busca formar critérios. Nosso papel é ajudar os alunos a desenvolver maturidade, discernimento e integridade para utilizá-la com responsabilidade.
O que é inteligência artificial e o que é IA generativa
Inteligência artificial é o nome dado a sistemas computacionais capazes de realizar tarefas que exigem análise de dados, reconhecimento de padrões, organização de informações e geração de respostas com base em grandes volumes de conteúdo.
A chamada IA generativa é um tipo específico de inteligência artificial capaz de criar novos conteúdos a partir de comandos feitos pelo usuário. Ela pode gerar textos, imagens, tabelas, planos de estudo, resumos, perguntas, sugestões de escrita, explicações e até códigos.
É importante compreender que essas ferramentas não "pensam" como seres humanos e não compreendem o mundo da mesma forma que uma pessoa. Elas produzem respostas com base em padrões aprendidos a partir de grandes volumes de dados.
Por isso, uma resposta bem escrita, rápida ou convincente não é necessariamente uma resposta correta, justa, completa ou confiável.
A inteligência artificial pode ser muito útil, mas precisa ser usada com senso crítico. Ela pode acertar, pode ajudar e pode ampliar possibilidades. Também pode errar, simplificar demais, omitir contexto, reproduzir vieses ou apresentar informações incorretas com aparência de segurança.
O papel da IA na aprendizagem
No Liceu Jardim, a inteligência artificial é compreendida como uma ferramenta de apoio à aprendizagem.
Seu melhor uso acontece quando ela ajuda o aluno a estudar melhor, revisar com mais qualidade, organizar o pensamento, ampliar repertório, enxergar novas formas de compreender um conteúdo e desenvolver mais autonomia no processo de aprender.
A IA pode, por exemplo, contribuir para explicar um conceito de outra maneira, propor exercícios extras, ajudar na organização de um cronograma, sugerir formas de revisar erros e apoiar a construção inicial de perguntas, hipóteses ou caminhos de pesquisa. Quando bem utilizada, ela pode tornar o estudo mais ativo, mais personalizado e mais eficiente.
É essencial afirmar com clareza que a IA não substitui o esforço cognitivo que faz a aprendizagem acontecer. Aprender exige prática, atenção, tentativa, erro, revisão, elaboração própria, interpretação, comparação, argumentação e memória.
Quando a ferramenta passa a fazer no lugar do aluno aquilo que ele precisa pensar para aprender, ela deixa de apoiar a aprendizagem e passa a enfraquecê-la.
Também por isso, a inteligência artificial não substitui o professor. O professor continua sendo a principal referência pedagógica na condução do processo educativo, na escolha de objetivos, na proposição de experiências de aprendizagem, na interpretação do desenvolvimento do aluno e na formação de critérios intelectuais e éticos.
No Liceu Jardim, o uso da IA só faz sentido quando fortalece a aprendizagem real. Ela deve apoiar o aluno a pensar melhor, e não pensar menos.
Princípios do Liceu Jardim para o uso de IA
O uso de inteligência artificial deve estar sempre orientado por princípios claros, que protegem a aprendizagem, a integridade acadêmica, a convivência e a segurança de todos.
Centralidade da aprendizagem
A IA deve apoiar o desenvolvimento do aluno, e nunca substituir aquilo que ele precisa realizar intelectualmente para aprender de verdade.
Responsabilidade humana
Toda produção gerada com apoio de IA precisa ser lida, analisada, revisada e assumida por uma pessoa. A ferramenta não responde moral, acadêmica ou eticamente.
Autoria
O aluno deve preservar sua participação real no que estuda, produz e entrega. A IA não pode apagar a autoria nem tornar "autoral" algo que ele não construiu.
Pensamento crítico
Nenhuma resposta produzida por IA deve ser aceita automaticamente. É necessário conferir, comparar, verificar e refletir — e saber desconfiar quando preciso.
Privacidade e proteção de dados
O uso deve respeitar o cuidado com informações pessoais, acadêmicas, familiares e institucionais. Segurança digital é parte da formação ética do aluno.
Respeito
A IA não pode ser usada para humilhar, expor, constranger, manipular, enganar, imitar, falsificar ou prejudicar outras pessoas. A dignidade humana é inegociável.
Intencionalidade pedagógica
No contexto escolar, a tecnologia precisa estar a serviço de objetivos formativos relevantes. O uso da IA deve fazer sentido educacional — e não apenas oferecer rapidez, facilidade ou aparência de produtividade.
Esses princípios formam a base de todo este manual. Sempre que houver dúvida sobre o uso adequado da inteligência artificial, eles devem orientar a decisão.
Ferramenta oficial da escola: Gemini
Para o uso escolar de IA, o Liceu Jardim orienta que os estudantes utilizem prioritariamente o Gemini, dentro do ambiente institucional adotado pela escola.
Essa definição não é apenas uma escolha tecnológica. Ela faz parte do compromisso do colégio com segurança, coerência pedagógica e maior cuidado com a proteção de dados no contexto escolar. Ao estabelecer uma ferramenta oficial, a escola cria uma referência mais clara para alunos, famílias e educadores, reduz ambiguidades e favorece práticas mais responsáveis.
No ambiente institucional, o uso da ferramenta ocorre dentro de uma estrutura voltada ao contexto educacional, com camadas adicionais de governança e proteção em relação ao uso livre, disperso e não supervisionado de plataformas externas.
E outras plataformas? Algumas famílias podem já utilizar ferramentas externas por assinatura, hábito ou preferência. Elas não constituem a referência institucional do colégio. Quando usadas fora do ambiente oficial, esse uso deve ser acompanhado ainda mais de perto pelos responsáveis, com atenção redobrada a segurança, privacidade, adequação etária e qualidade das respostas.
Em caso de dúvida, a orientação é simples: para fins escolares, a prioridade deve ser sempre o uso da ferramenta oficial da instituição.
Dados e LGPD. Como toda ferramenta baseada em nuvem, o Gemini opera em servidores distribuídos globalmente, incluindo fora do Brasil. Dados inseridos podem ser processados em infraestrutura internacional, em conformidade com os acordos do Google Workspace for Education e com a LGPD. Por isso reforçamos: quanto menos dados pessoais, sensíveis ou identificáveis forem inseridos, menor o risco — independentemente da plataforma.
Como decidir se posso usar IA nesta atividade?
Nem toda atividade escolar permite o mesmo tipo de uso de IA. Antes de utilizar a ferramenta, faça uma checagem simples e honesta.
Checador "Posso usar IA?"
Responda às 6 perguntas com sinceridade. Ao final, você recebe um veredito orientativo.
De forma resumida, o aluno pode utilizar a IA quando ela apoia a aprendizagem sem substituir o processo intelectual que lhe cabe, quando a atividade permite esse uso e quando o resultado final continua sendo compreendido, revisado e assumido por ele. Se houver dúvida real, interrompa o uso e consulte o professor, a coordenação ou a orientação da escola.
Usos permitidos e não permitidos da IA
A IA pode ser usada de forma legítima quando contribui para o estudo e o aprofundamento do conhecimento — sem substituir a participação intelectual do aluno.
Usos permitidos
- Pedir uma nova explicação para um tema já estudado e solicitar exemplos adicionais.
- Gerar questões extras para treino e revisar erros cometidos em exercícios.
- Montar um cronograma de estudos e estruturar um plano de revisão.
- Comparar formas diferentes de resolver um problema.
- Apoiar produções autorais: sugerir clareza, organização, coesão ou correção linguística em um texto efetivamente escrito pelo aluno.
- Apoiar a pesquisa inicial: levantar perguntas, explorar recortes e organizar informações preliminares.
Usos não permitidos
- Apresentar como autoral um conteúdo produzido integral ou majoritariamente por IA.
- Resolver integralmente atividades, listas, tarefas, trabalhos ou produções propostos para desenvolver conhecimento.
- Usar IA em provas, simulados ou avaliações sem autorização explícita do professor.
- Burlar regras de avaliação, mascarar falta de estudo ou simular domínio de conteúdo.
- Usar a IA como fonte única de informação, sem consultar materiais confiáveis.
- Produzir conteúdo falso, ofensivo, discriminatório, manipulador ou impróprio.
Em síntese, a inteligência artificial não pode ser usada para falsificar autoria, substituir esforço intelectual, fraudar processos acadêmicos, comprometer a verdade dos conteúdos ou ferir a dignidade e a segurança de qualquer integrante da comunidade escolar.
Transparência, autoria e declaração de uso
Usar IA no contexto escolar não elimina a responsabilidade do aluno sobre aquilo que produz, entrega, apresenta ou assina.
No Liceu Jardim, a autoria continua sendo um valor central. O aluno precisa preservar sua contribuição real no processo de estudo. A IA pode apoiar, sugerir, reorganizar e ampliar, mas não pode substituir a participação intelectual que caracteriza uma produção verdadeiramente autoral.
Em determinadas atividades, o professor ou a escola poderá solicitar que o uso da IA seja declarado. Essa declaração não deve ser vista como um problema, mas como uma prática de integridade acadêmica.
A declaração de uso pode incluir quatro elementos simples
- A ferramenta utilizada.
- A finalidade do uso.
- A etapa do processo em que ela foi usada.
- O que foi efetivamente revisado, adaptado ou desenvolvido pelo próprio aluno.
Mais importante do que mencionar a ferramenta é garantir que o estudante compreenda o que está entregando, consiga explicar seu raciocínio e responda com clareza pela produção final. A responsabilidade humana nunca é transferida para a tecnologia.
O que nunca enviar para uma IA
O uso responsável exige cuidado concreto com privacidade, segurança e proteção de dados. Existem informações que nunca devem ser inseridas em uma ferramenta de IA sem autorização institucional e real necessidade pedagógica.
Não envie:
- Dados pessoais sensíveis do aluno ou da família: documentos, números de identificação, endereços, informações financeiras ou médicas.
- Boletins, notas individuais, relatórios escolares, laudos, pareceres ou registros pedagógicos confidenciais.
- Imagens, vídeos, áudios e gravações de voz de colegas, professores, funcionários ou familiares sem autorização clara.
- Conversas privadas, mensagens, prints, materiais internos da escola e documentos que não devam circular livremente.
O fato de uma ferramenta permitir o envio de um conteúdo não significa que esse envio seja apropriado, ético ou seguro.
A regra é simples: se a informação é privada, sensível, identificável ou pertence a outra pessoa ou à instituição, ela não deve ser enviada para uma IA sem autorização, necessidade legítima e contexto adequado.
Esse cuidado tem respaldo legal direto. A LGPD (Lei nº 13.709/2018) estabelece proteção reforçada para dados de crianças e adolescentes. Laudos, relatórios pedagógicos, dados de saúde e registros acadêmicos são classificados como dados sensíveis — categoria que recebe atenção especial da lei. Inseri-los em qualquer ferramenta de IA, mesmo institucional, tem implicações legais que vão além da boa conduta.
Imagem, voz, deepfake e respeito
O uso de IA para manipular imagem, voz ou identidade de outras pessoas é um tema de máxima seriedade e recebe tratamento rigoroso neste manual.
É expressamente proibido criar, alterar, simular, editar ou divulgar, com uso de IA, imagens, áudios ou vídeos de colegas, professores, funcionários ou qualquer membro da comunidade escolar sem autorização. Isso inclui imitação de voz, montagem de falas, fabricação de vídeos falsos, alteração de fotografias, simulação de mensagens e qualquer forma de falsificação de identidade.
É absolutamente proibida a produção de conteúdo íntimo falso, sexualizado, humilhante, ameaçador ou constrangedor. Não será tolerado o uso de IA para cyberbullying, chantagem, exposição indevida, difamação, intimidação ou qualquer forma de violência digital.
O uso de tecnologia não reduz a gravidade do ato. Ao contrário, pode ampliar seus danos e sua responsabilidade. Respeitar a imagem, a voz, a identidade e a integridade do outro é inegociável.
Não são apenas regras do colégio. A produção e divulgação de conteúdo íntimo falso ou sexualizado envolvendo menores de idade configura crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA — Lei nº 8.069/1990), com agravantes estabelecidos pela Lei nº 15.211/2025 (ECA Digital). O uso de tecnologia não atenua a responsabilidade — em muitos casos, a amplia.
Famílias: como acompanhar de forma responsável
A participação das famílias é fundamental para que o uso da IA aconteça de forma equilibrada, ética e formativa. Mais do que vigiar, o papel da família é acompanhar, dialogar, orientar e construir responsabilidade junto com o estudante.
Esse acompanhamento deve ser claro e combinado. O uso da IA não deve acontecer numa lógica de monitoramento invisível ou fiscalização oculta, mas num ambiente de confiança, conversa e presença. O estudante precisa perceber que a família está interessada não apenas no resultado final, mas também na forma como ele aprende.
Boas práticas para a família
- Pedir que aluno e responsáveis tenham acesso às interações e conversem sobre como a ferramenta foi usada: quais perguntas foram feitas, que respostas surgiram, o que se aproveitou, o que se descartou e como o material foi revisto.
- Observar sinais de uso inadequado: dependência excessiva, dificuldade de estudar sem a IA, entrega de produções que o aluno não sabe explicar, uso impulsivo de respostas prontas e redução do envolvimento real com a aprendizagem.
- Reforçar valores: conversar sobre verdade, autoria, respeito, privacidade, responsabilidade e ética digital.
A melhor supervisão é aquela que forma. A família não precisa controlar tudo, mas precisa estar presente, interessada e disponível para orientar o estudante na construção de um uso cada vez mais maduro e responsável da inteligência artificial.
Quando a orientação do professor prevalece
Este manual apresenta diretrizes gerais. No entanto, nem todas as atividades têm os mesmos objetivos, e nem toda tarefa permite o mesmo tipo de apoio tecnológico.
Em algumas situações, o professor poderá definir orientações específicas sobre o uso ou a proibição de IA em determinada atividade, disciplina, projeto, trabalho ou avaliação. Isso acontece porque cada proposta pedagógica tem finalidades próprias — em alguns casos o foco está na pesquisa; em outros, na autoria, na interpretação, na resolução individual, na argumentação oral, na escrita pessoal, na criatividade ou na verificação direta da aprendizagem.
Quando houver regra específica para uma atividade, essa regra prevalece sobre a orientação geral do manual. Se o professor limitar, proibir ou autorizar apenas determinadas formas de apoio, o estudante deve seguir exatamente essa orientação.
Compromissos do Liceu Jardim
Ao estabelecer este manual, o Liceu Jardim também assume compromissos claros diante de estudantes e famílias. O uso responsável da IA exige direção institucional, coerência pedagógica e responsabilidade da escola.
Aprendizagem no centro
Manter a aprendizagem como centro de todas as decisões. A tecnologia será sempre um recurso a serviço da formação humana, intelectual e ética.
Referência segura
Oferecer uma referência institucional segura e coerente para o uso escolar da IA, priorizando a ferramenta oficial e orientando quanto a boas práticas, limites e riscos.
Privacidade e dignidade
Proteger, com seriedade, a privacidade, os dados e a dignidade dos estudantes e de toda a comunidade escolar.
Autoria e integridade
Valorizar a autoria, a integridade acadêmica e a supervisão humana, com transparência e revisão crítica.
Uso ético e equilibrado
Promover um uso ético, respeitoso e inclusivo, reconhecendo benefícios e riscos — sem alarmismo e sem banalização.
Revisão periódica
Revisar periodicamente estas diretrizes, já que a IA evolui rapidamente, para manter clareza, atualidade e utilidade pedagógica.
Com esses compromissos, o Liceu Jardim reafirma que educar para o futuro também significa ensinar a usar a tecnologia com discernimento, responsabilidade e humanidade.
Base legal e direitos das famílias
As diretrizes deste manual estão fundamentadas em um conjunto de marcos legais e normativos que protegem estudantes, famílias e a própria instituição.
Regula o tratamento de dados pessoais no Brasil e estabelece regras mais rigorosas para dados de crianças e adolescentes. As famílias têm o direito de saber quais dados são coletados pelas ferramentas usadas na escola, para qual finalidade, por quanto tempo são armazenados e como podem solicitar sua exclusão ou revisão.
Atualizou o marco de proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Entre seus princípios está a proteção por padrão: sistemas usados por menores devem adotar as configurações mais protetivas como ponto de partida. Também veda práticas que incentivem uso excessivo ou dependência tecnológica.
O Referencial para Desenvolvimento e Uso Responsável de IA na Educação orienta instituições a adotarem políticas transparentes sobre o uso de IA, com atenção à soberania sobre dados pedagógicos e à responsabilidade sobre as ferramentas recomendadas aos estudantes.
O Liceu Jardim reconhece que, ao indicar uma ferramenta tecnológica para uso escolar, assume corresponsabilidade pelo modo como ela é utilizada. Por isso orienta sua comunidade com base nesses marcos legais e revisará periodicamente suas práticas.
Ferramentas, opções e funções do Google Gemini
O Gemini não é apenas um "chat" para fazer perguntas: ele é uma IA multimodal, capaz de entender e criar textos, imagens, áudios, vídeos e até códigos. Pense nele como um copiloto digital que ajuda a organizar ideias, planejar tarefas e aprender novos temas.
1. Escolhendo o "modo" certo para cada tarefa
Ideal para o cotidiano: tirar dúvidas rápidas, resumir um e-mail curto ou verificar gramática. É o modelo padrão e responde instantaneamente.
Para profundidade: montar um plano de estudos, resolver problemas de lógica ou planejar algo detalhado. Ele "pensa" antes de responder, mostrando o passo a passo.
O mais inteligente para tarefas complexas, como análise profunda de documentos longos (até um livro inteiro!) ou ajuda com programação avançada.
2. Recursos principais
A. Deep Research (Pesquisa Profunda)
Um assistente que navega por dezenas de sites de confiança e entrega um relatório pronto com fontes citadas. Quando usar: trabalhos de pesquisa extensa. Dica: leva de 5 a 15 minutos porque está lendo sites reais — e você pode baixar o resultado para o Google Docs.
B. Gemini Canvas (Mesa de Trabalho)
Um espaço onde você e a IA trabalham juntos em um documento lateral. Você pode destacar um parágrafo e pedir "deixe este trecho mais simples" ou "adicione exemplos aqui". Pedagógico: pode criar jogos educativos, quizzes interativos ou até simulações 3D (como o sistema solar).
C. Criação de imagens (Nano Banana)
Permite criar imagens realistas para ilustrar trabalhos. Exemplo: "Crie um infográfico limpo mostrando o ciclo da água em 5 passos, estilo flat design, com legendas em português".
Como construir prompts mais eficazes
Usar IA não depende apenas da ferramenta — depende também de como você faz o pedido. Quanto mais claro, estruturado e contextualizado, maior a chance de uma resposta útil.
Um erro comum são pedidos curtos e genéricos como "me explica isso" ou "faz um resumo". O ideal é construir um prompt com três elementos obrigatórios e um quarto altamente recomendável.
Construtor de Prompts
Preencha os campos abaixo (use as sugestões como atalho). Seu prompt se monta automaticamente — depois é só copiar e colar na IA.
Preencha os campos acima para montar seu prompt…
O que melhora ainda mais um prompt
- Dar exemplos do tipo de resposta esperado ajuda a IA a entender o padrão desejado.
- Separar bem as partes com títulos ou marcadores (Persona, Contexto, Pedido, Formato) — inclusive usando Markdown.
- Anexar ou colar o material-base e pedir "Com base apenas no texto acima…", pedindo que a IA avise se algo não estiver no material. Isso reduz respostas inventadas.
Modelos prontos para estudantes
Copie, substitua os campos entre colchetes e use.
Explicação de conteúdo
Modelo 1Você é um professor muito didático de [disciplina]. Sou aluno da [série/ano] e tenho dificuldade em [conteúdo]. Estudo num contexto de alta exigência acadêmica e preciso aprender de verdade, não apenas decorar. Explique o conteúdo de forma clara, progressiva e simples. Depois dê [número] exemplos resolvidos e crie [número] exercícios de treino. Organize a resposta em tópicos curtos.
Correção de texto
Modelo 2Você é um professor especialista em escrita e revisão. Sou aluno da [série/ano]. Abaixo está um texto que eu escrevi. Quero que você analise minha produção sem reescrevê-la por completo. Aponte pontos fortes, pontos de melhoria, trechos confusos e sugestões de clareza, coesão e argumentação. No final, monte uma lista objetiva do que eu devo revisar sozinho.
Estudo com material anexado
Modelo 3Você é um professor especialista em [disciplina]. Vou enviar um trecho do meu material. Com base apenas nesse conteúdo, explique os conceitos principais, destaque o que costuma ser mais importante em prova e crie perguntas de revisão. Se faltar informação no material, diga isso claramente. Use linguagem compatível com um aluno da [série/ano].
Questões estilo vestibular
Modelo 4Você é um elaborador de questões de vestibular. Crie [número] questões sobre [tema], no estilo [ENEM/FUVEST/UNICAMP/outro], com nível de dificuldade progressivo. Depois apresente o gabarito comentado, explicando por que cada alternativa está certa ou errada.
Modelos mais avançados
Peça à IA que crie o prompt por você
AvançadoVocê é um especialista em criação de prompts educacionais. Crie um prompt para me ajudar a estudar [tema]. Sou aluno da [série], estudo num colégio com foco em vestibulares e tenho dificuldade em [subtema]. Quero um prompt que gere explicações claras, exemplos resolvidos e exercícios no estilo vestibular. Depois de criar o prompt, mostre a versão final pronta para eu usar.
Peça que a IA te entreviste antes
AvançadoVocê é um especialista em criação de prompts educacionais. Quero um prompt para melhorar meu desempenho em [disciplina], especialmente em [tema]. Antes de criar o prompt final, me entreviste para descobrir quais informações são mais importantes sobre minha série, minhas dificuldades, meu objetivo e o tipo de ajuda que preciso. Ao final da entrevista, produza um prompt final completo, pronto para uso.
Checklist final: seu prompt está bom?
- Há uma persona clara?
- Há contexto suficiente?
- O pedido está objetivo?
- A forma de resposta foi definida?
- O material-base foi enviado, quando necessário?
- A IA está sendo usada para apoiar o estudo, e não para fazer por você?
- O pedido respeita as regras do manual do Liceu Jardim?
Se a resposta for sim para quase tudo, o prompt provavelmente já está bem melhor.
NotebookLM
Uma ferramenta gratuita do Google que usa IA para ajudar você a organizar e entender informações.
A grande vantagem: diferente de outros "chats" que buscam respostas na internet inteira e podem inventar coisas (as "alucinações"), o NotebookLM foca apenas nos materiais que você enviar — indicando inclusive a página ou o minuto do vídeo de onde tirou a informação.
Primeiro passo: como começar
Acesse notebooklm.google.com e use sua conta Google.
- Crie um "Caderno": clique em "Criar novo notebook". Pense em cada caderno como uma pasta de matéria (ex.: "Trabalho de Biologia").
- Adicione suas fontes: PDFs, links de sites, vídeos do YouTube, arquivos do Drive ou até fotos do seu caderno (ele consegue ler sua letra!). No plano da escola, você pode colocar até 50 fontes por caderno.
As funções mais legais
Pergunte e ele responde usando seus documentos. Um número ao lado do texto abre exatamente a parte do documento que prova aquela resposta.
Cria uma conversa entre dois apresentadores que explicam seu tema como um programa de rádio. No painel "Estúdio", clique em "Resumo em Áudio".
Monta uma apresentação explicativa narrada, ideal para revisar a matéria antes da prova.
Peça um Mapa Mental para ver como os tópicos se conectam; a Linha do Tempo organiza fatos em ordem cronológica automaticamente.
Gera perguntas de múltipla escolha (quizzes) ou cartões de memória (flashcards) baseados no seu material.
Novidades de 2026
- Deep Research: se você não tem fontes, ele busca na internet os melhores artigos e vídeos para começar do zero.
- Criação de slides: monta apresentações inteiras para baixar e usar no PowerPoint.
- Infográficos: cria visualizações em formato de infográfico das informações do seu caderno.
Dicas de ouro:
- Em "Configurações", mude o "Idioma de resposta" para Português (Brasil).
- "Lixo entra, lixo sai": a qualidade das respostas depende da qualidade do que você envia.
- Seja específico: em vez de "resuma o texto", peça "faça um resumo dos 3 pontos mais importantes".
- Privacidade: evite dados pessoais ou sensíveis, mesmo em ferramentas seguras.
Google Gems
Uma ferramenta dentro do ecossistema Gemini que permite criar "mini-assistentes" ou especialistas de IA personalizados.
Diferente de uma conversa comum, onde você explica tudo do zero todas as vezes, o Gem "lembra" das suas regras e preferências, agindo como um ajudante que já sabe exatamente como você gosta que o trabalho seja feito.
Como funciona — três pilares
Objetivo
O que você quer que ele faça (ex.: "ajudar na revisão de matemática").
Instruções
Como ele deve se comportar (ex.: "seja paciente e use exemplos do dia a dia").
Conhecimento
Anexe arquivos ou conecte pastas do Google Drive para que ele consulte materiais específicos, como guias de estudo ou manuais da escola.
Como começar (passo a passo)
- Acesse gemini.google.com no computador.
- No menu lateral, clique em "Explorar Gems" (ou no ícone "+").
- Clique em "Novo Gem".
- Dê uma identidade (ex.: "Meu Tutor de História").
- Escreva as instruções (veja as boas práticas).
- Salve — ele aparecerá na sua barra lateral para uso imediato.
Exemplos de uso no contexto escolar
Tutor de explicação
Você é um professor didático. Sua tarefa é explicar conceitos de ciências para um aluno do 6º ano, usando metáforas simples e evitando termos técnicos complicados.
Organizador de tarefas
Ajude-me a organizar minha semana de provas. Analise as datas que eu fornecer e sugira um plano de estudo equilibrado, com pausas para descanso.
Treinador de redação
Atue como um revisor ortográfico e de estilo. Leia meus rascunhos e aponte onde posso melhorar a clareza, sem escrever o texto por mim, mas me dando dicas de como fazer.
Fórmula: Persona + Tarefa + Contexto + Formato. Se tiver dificuldade para escrever as instruções, clique no ícone da "Varinha Mágica" e o próprio Gemini ajudará a refinar seu pedido.
Cuidados importantes:
- Verifique sempre: a IA pode inventar informações. Confira nos livros didáticos ou com o professor.
- Privacidade: evite dados pessoais sensíveis ou documentos sigilosos.
- Uso ético: o Gem é apoio à aprendizagem, não forma de substituir o esforço próprio.
- Supervisão: para menores de 18 anos, o uso deve ser sempre acompanhado pelos responsáveis.
Referências e base legal
As diretrizes deste manual se apoiam em marcos legais brasileiros e em referências educacionais nacionais e internacionais.
Marcos legais (Brasil)
- LGPD — Lei nº 13.709/2018. Tratamento de dados pessoais, com proteção reforçada para crianças e adolescentes.
- ECA — Lei nº 8.069/1990 e ECA Digital — Lei nº 15.211/2025. Proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
- BRASIL. MEC. Referencial para desenvolvimento e uso responsáveis de inteligência artificial na educação. Brasília: MEC, 2026.
- BRASIL. Secom/PR. Crianças, adolescentes e telas: guia sobre usos de dispositivos digitais. Governo Federal, 2025.
Referências educacionais e técnicas
- CETIC.BR. TIC Educação 2024. São Paulo, 2025. (Sete em cada dez alunos do Ensino Médio usam IA generativa em pesquisas escolares.)
- COLÉGIO BANDEIRANTES. Inteligência artificial: manual de boas práticas. São Paulo, 2025.
- COMMON SENSE MEDIA. AI companions decoded. San Francisco, 2025.
- DEMAREST ADVOGADOS. Guia de boas práticas em inteligência artificial. São Paulo, 2021.
- FEDERAL TRADE COMMISSION. Preventing the harms of AI-enabled voice cloning. FTC, 2023.
- FOLHA DE S.PAULO. Universidades definem regras para o uso da IA. 2026.
- FUTURE OF PRIVACY FORUM. Vetting generative AI tools for use in schools. 2024.
- GOOGLE AI FOR DEVELOPERS. Prompt design strategies. / GOOGLE FOR EDUCATION. Gemini for Education.
- NIST. AI Risk Management Framework: Generative AI Profile. 2024.
- OECD. The potential impact of AI on equity and inclusion in education. Paris, 2024.
- OPENAI. Prompt engineering best practices / Terms of Use.
- TEACHAI. AI Guidance for Schools Toolkit.
- UNESCO. Guia para a IA generativa na educação e na pesquisa (2024); Deepfakes and the crisis of knowing (2025).
- UNICEF. Guidance on AI and Children 3.0 (2025); AI and Child Sexual Abuse and Exploitation (2026).
- UNIVERSITY COLLEGE LONDON (UCL). Engaging with generative AI / Three categories of GenAI use in assessment.
Acesso às fontes online: 17 mar. 2026. Lista completa disponível no documento institucional do Liceu Jardim.